Reflect · Resist · Reform
— An online collaborative manifesto

KIT MANIFESTO

Introdução

Ponto de partida

Tendo como ponto de partida Summer (2013) de Olia Lialina, uma obra icónica de net art na qual a artista balança no topo do navegador, com cada fotograma alojado num servidor diferente, o workshop explora linguagens e camadas técnicas da web enquanto matéria artística, para refletir sobre a sua natureza distribuída, instável, política e relacional.

A partir daqui, os participantes criarão coletivamente o Reflect · Resist · Reform — Um manifesto colaborativo online, que aborda criticamente os eixos centrais do PCD2026. O workshop centra-se na web enquanto espaço artístico, político e relacional, nas estratégias históricas da net art (distribuição, falha, loop e visibilidade do código), e nas práticas colaborativas online para criar um manifesto vivo, em constante mudança e distribuído.

Objetivos

Resultado

Manifesto distribuído online

Internet

Video: História da internet

Video: Como funciona a internet?

Breve história

A história da internet começa nos anos 60, no contexto da Guerra Fria, com o desenvolvimento da ARPANET, um projeto financiado pela ARPA que visava criar uma rede de comunicação descentralizada entre computadores. Em 1969, foi estabelecida a primeira ligação entre universidades nos Estados Unidos. Nas décadas seguintes, surgiram protocolos como o TCP/IP, adotado em 1983, que permitiu a interligação de diferentes redes, formando a base da internet moderna. Em 1989, Tim Berners-Lee propôs a World Wide Web, tornando a navegação mais acessível através de páginas e hiperligações. A partir dos anos 90, a internet expandiu-se rapidamente para o público em geral, com o surgimento de navegadores, motores de busca e, mais tarde, redes sociais. Hoje, é uma infraestrutura global essencial que conecta bilhões de pessoas, transformando profundamente a comunicação, a economia e a cultura.

Questões centrais

Manifestos

O manifesto como forma de linguagem que não é apenas uma declaração, mas performance de uma posição.

Exemplos

Estratégias

Net Art

Breve história

A Net Art surge na década de 90, acompanhando a popularização da internet como meio de comunicação e criação artística, sendo o termo "net art" associado aos primeiros usos por artistas e teóricos em meados dessa década, nomeadamente após um episódio em 1995 em que o artista Vuk Ćosić terá recebido um e-mail corrompido onde se destacava a expressão "net.art", que acabou por dar nome ao movimento. Um dos momentos simbólicos do seu início foi o projeto My Boyfriend Came Back from the War (1996), de Olia Lialina, que explorava narrativas fragmentadas através de hiperligações. Artistas como o próprio Ćosić e o coletivo Jodi.org foram fundamentais, utilizando código, glitches e a própria estrutura da web como linguagem artística. A Net Art caracteriza-se pela sua natureza interativa, descentralizada e muitas vezes crítica em relação às tecnologias digitais e à cultura online, tendo evoluído nos anos 00 com o crescimento das redes sociais e das plataformas digitais, mantendo-se como uma prática relevante na reflexão sobre autoria, acesso e a materialidade do espaço virtual.

Exemplos

Estratégias

Literatura digital

Exemplos

Exercícios

#01 Estruturar o manifesto (60 min)

A partir dos três eixos do PCD2026 estruturar o manifesto:

Cada grupo escrever as respostas numa página de texto.

Fase 1 (15 min): brainstorming livre sem censura, sem hierarquia

Fase 2 (20 min): seleção e edição coletiva — qual é a voz do grupo?

Resultado esperado:
três fragmentos de texto, um por eixo, com voz própria e posição clara.

#02 Estratégias de Net Art/Literatura digital (45 min)

Que estratégias de net art/literatura digital podem reforçar ou contradizer as posições do grupo?

Cada grupo escolhe pelo menos uma estratégia. A escolha é também uma posição, qual é a estratégia que faz mais sentido para o que o grupo quer dizer?

Resultado esperado:
Pelo menos a escolha de uma estratégia de net art justificada.

#03 Transpor para HTML + comportamentos (45 min)

Colocar o conteúdo numa página HTML. O que a linguagem HTML pode acrescentar ao conteúdo do manifesto?

O HTML não é neutro. A forma como estruturamos um documento faz parte do seu sentido.

Algumas possibilidades para explorar:
A hierarquia dos títulos (<h1> a <h6>) como gesto político — o que merece ser <h1>? A tag <marquee> ou <blink> como arqueologia da web. O <details> e <summary> para esconder o que só se revela com intenção. Texto que aparece apenas ao fazer hover. Links que levam a páginas que já não existem — o 404 como conteúdo. Comentários em HTML (<!-- -->) como camada invisível ao leitor mas visível no código.

comportamentos:
Utilizar os exemplos do KIT MANIFESTO ou aplicar comportamentos criados pelo grupo.

Resultado esperado:
Uma página HTML com os comportamentos aplicados.

#04 Dar estilos à página (45 min)

O CSS é argumento. A cor, a tipografia, o espaçamento, o movimento: cada decisão visual é também uma decisão sobre o que o manifesto comunica antes de ser lido. Este exercício é sobre tornar a forma inseparável do conteúdo.

Questão central:
Que estética serve este manifesto? A escolha visual é coerente com a posição política do texto?

Resultado esperado:
Uma página HTML+CSS onde a forma visual é parte integrante do argumento.

#05 Publicar e partilhar (30 min)

Publicar é um gesto político. Onde publicamos, como publicamos, e quem tem acesso são decisões que fazem parte do manifesto.